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Estudo diz que agricultura orgânica é mais lucrativa; conheça a visão do produtor sobre o assunto.

Publicada em 16.06.2015

Alguns dias atrás foi publicado um estudo que apresenta um panorama muito positivo para os entusiastas da agricultura orgânica. A notícia em questão, que já foi publicada em veículos do Brasil e do exterior, é de que mesmo com os maiores custos envolvidos e uma média menor de produção, a agricultura orgânica consegue obter margens de lucro maiores do que a convencional.

A pesquisa foi realizada por David Crowder e John Reganold, da Universidade Estadual de Washington e divulgada na revista da Academia Nacional de Ciência, a PNAS. Para alguns, ela foi considerada o primeiro estudo abrangente a olhar para a rentabilidade da agricultura orgânica.

Um ponto positivo e relevante da pesquisa é que a agricultura orgânica ainda teria bastante espaço para crescer. Os preços dos orgânicos têm se mantido aproximadamente 30% mais altos do que os convencionais. Mesmo que o rendimento da agricultura orgânica seja 18% menor, isso possibilita um crescimento da prática e ainda permite que os preços caiam uns bons percentuais sem que a vantagem lucrativa deixe de ser realidade.

O que, segundo a pesquisa, não está tão perto de acontecer, já que as vendas não têm mostrado sinal de desaceleração nos últimos 40 anos. Para reforçar o fato, basta olhar para as feiras orgânicas aqui do Brasil, que estão a cada dia mais numerosas e mais povoadas.

Os pesquisadores ainda são otimistas ao afirmar que tal lucratividade possa incentivar os produtores a largarem os agrotóxicos e com isso oferecerem menos danos ao meio ambiente e mais benefícios para o consumidor. Segundo eles, a maioria dos agricultores que participaram da pesquisa (nos Estados Unidos principalmente) produziam uma grande quantidade de alimentos com agrotóxicos e só um pouquinho de orgânicos. A partir do momento em que eles encontrarem um lucro maior nessa pequena parcela, poderiam destinar uma parte maior da sua produção para os orgânicos.

Apesar disso, ainda de acordo com a pesquisa, os produtores que convertem sua produção encontram-se em posição vulnerável. O período de transição para obter os certificados de orgânico os expõem a riscos financeiros a partir do momento em que sua produtividade diminui, mas eles ainda não podem comercializar seus produtos por preços maiores.

A conclusão dos autores, é que fica o desafio de desenvolver políticas públicas que apoiem os agricultores convencionais ao converterem sua produção, principalmente neste período de transição.

Felizes com a notícia, procuramos nosso amigo Nelson Diehl, da Banca Nutracêuticos, um dos pioneiros das feiras ecológicas autogestionarias no Brasil e que em breve irá estrear sua coluna no SouVegetariano.com. Na experiência dele, essa conversão para os orgânicos visando apenas os lucros nunca deu muito certo, pelo menos aqui no Brasil.

 

Sobre o assunto, Nelson nos ofereceu o seguinte depoimento:

 

“O pesquisador conclui que são necessárias políticas públicas para que os agricultores suportem o período de transição de 3 anos que a certificação impõe.

Particularmente desconheço produtor orgânico que se mantenha como orgânico unicamente por causa do preço maior. Muitos que entram acreditando que o preço maior é um grande atrativo “quebram a cara”, se desestimulam e voltam ao veneno e à adubação com agroquímicos.

Apenas e com muito otimismo 1% dos agricultores no mundo são orgânicos. Fica evidente que é insignificante e é elitista a produção e o acesso aos alimentos de melhor qualidade.

O governo federal brasileiro paga em seus programas de aquisição de alimentos  (estoque estratégico de alimentos, programa fome zero, merenda escolar, compras institucionais) 30% a mais para os alimentos orgânicos. E a compra de orgânicos é insignificante e nestes 16 anos pouco tem crescido.

Reduzir ao plano econômico é frágil. Os preços na agricultura são muito oscilatórios. Hoje um saco de 20kg de cebola in natura, de primeira, graúda, custa na Ceasa de Porto Alegre R$ 90,00. Neste sábado comprei um quilo de cebola na feira ecológica a R$ 5,00. Produtor que estocou cebola aplicando semanalmente fungicida para sua conservação está rico!

São necessárias toda a sorte de medidas para estimular e induzir os agricultores a não utilizarem agrotóxicos e adubos químicos solúveis sintéticos, a recusarem as sementes transgênicas e a criação de animais confinados. A indução deve ser ética, técnica, econômica, ecológica e legal.

É absurdo nós sermos coniventes e permissivos com quem aplica veneno na comida dos outros. A escravatura somente foi abolida porque foi proibida legalmente. A Inglaterra nos abrigou para tal. Se não fosse isso seria ainda um bom negócio empregar crianças, escravizar gente, exigir carga horária de 60 horas semanais.”