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Por que estamos adoecendo?

Publicada em 23.03.2015

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Foto por Johanna Veth

Nunca houve tantos recursos terapêuticos como hoje em dia. Nos países industrializados ou para pequenas parcelas da população de países em desenvolvimento, foram criados excelentes serviços de prestação de saúde e um eficiente sistema de abastecimento de alimentos. No entanto, nesses mesmos países, é clamor geral o avanço das doenças crônicas e degenerativas, tais como o câncer, a hipertensão, as doenças cardiovasculares e a diabete insulino-dependente. A obesidade toma proporções epidêmicas, mesmo em populações de baixa renda de países em desenvolvimento como o Brasil.

Uma nova imagem em consumo de alimentos vem surgindo, na qual satisfazer apetite e saciedade não são as únicas considerações. Há um século, os estudos em nutrição tinham importância secundária à Medicina e estavam voltados para avaliações de deficiências qualitativas e quantitativas na dieta. Hoje, no alvorecer no novo milênio, a ciência médica rende-se ao fato de que a nutrição tem impacto decisivo na saúde, na recuperação e na prevenção de doenças.

Cada geração aparentemente vem se tornando mais fraca que a anterior. Os bebês adquirem ou perdem sua imunidade ainda no corpo de suas mães, durante a gravidez, e após o nascimento, com o aleitamento materno(ou a falta dele). Certos distúrbios autoimunes podem ter início ainda na vida placentária. Torna-se óbvio que desequilíbrios na saúde da mãe resultem em debilidades que vão se transmitindo de uma geração a outra.

A maioria dos bebês que não recebe aleitamento materno é alimentada com leite bovino, que apresenta grande quantidade de resíduos de antibióticos originados de drogas administradas à vaca. Os antibióticos no leite bovino alteram a flora intestinal do lactente e deprimem o sistema imune intestinal e sistêmico, o que permite o crescimento de microorganismos que causam doenças.

A saúde das crianças funciona como um termômetro para que se avalie a saúde geral de um país. Nos Estados Unidos, Europa e também no Brasil estão tornando-se alarmantes os níveis de incidência do distúrbio de deficiência de atenção, asma e alergias.

Infecções recorrentes de ouvido, resistentes a doses maciças de antibióticos, têm-se tornado o pesadelo para os pais.

A alta incidência de diarréia do lactente no Brasil, ainda a maior causa de mortalidade infantil, tem grande relação com uma flora intestinal adulterada pelos produtos lácteos, açúcares e más condições de higiene alimentar.

Doenças crônicas e degenerativas, algumas delas nunca antes mencionadas, estão disseminando-se rapidamente pelo mundo ocidental. Nomes como lúpus eritematoso sistêmico, esclerose múltipla, doença de Crohn, diverticulites, fibromialgia, síndrome da fadiga crônica, doença de Alzheimer e outras vêm se tornando comuns em nosso vocabulário.

O treinamento de médicos para a reversão de um infarto do miocárdio não existia no início do século XX, tal a raridade desses eventos.

Pela Sociedade Americana de Câncer, quatro de dez americanos terão de enfrentar algum tipo de câncer no decorrer de suas vidas. O câncer do intestino grosso é a segunda doença mais diagnosticada nos Estados Unidos, com mais de 125 mil casos por ano.

A síndrome do cólon irritável atinge 14% a 17% da população; quase metade dos atendimentos ambulatoriais em clínica médica são por causa dessa síndrome. Como a constipação crônica (prisão de ventre) tornou-se endêmica, a literatura médica oficial adaptou-se ao fato e considera “normal” evacuar duas a três vezes por semana  em vez de uma vez ao dia.

As duas doenças que mais crescem no mundo ocidental no momento são o lupus eritematoso, uma doença inflamatória do tecido conjuntivo, e a colite de Crohn, uma doença intestinal severa e pouco responsiva a tratamentos. As doenças auto-imunes caracterizam-se por uma condição em que as defesas do organismo se voltam contra ele mesmo, destruindo suas próprias células.

Que fator em comum pode estar servindo de pano de fundo para essa epidemia de doenças? Por que estamos adoecendo?