Sua plataforma online de comida
vegetariana e vegana.
Conheça

Colunistas

Você está em: Colunistas > Colunas > Alberto Peribanez

O médico Jesus

Publicada em 28.07.2015

medicojesus_destaque

Imagem: Reprodução

Jesus de Nazaré trouxe conhecimentos sobre o tratamento de doenças: ensinou práticas alimentares com as sementes do trigo, alertou para que evitássemos o consumo de alimentos sem vitalidade – “queimados, congelados ou apodrecidos” — , mostrou a prática do jejum e deu instruções belíssimas de como limpar o corpo para curar-se de doenças por intermédio dos batismos da água, do ar, da luz solar e da terra. Todos esses ensinamentos podem ser lidos no Evangelho Essênio da Paz, uma tradução de pergaminhos apócrifos encontrados nos arquivos secretos do Vaticano e traduzidos por Edmond Bordeaux Szekely, em 1928.

A liturgia cristã prefere manter a imagem de Jesus como o detentor de um poder divino, que realiza milagres com as mãos e com a simples presença, não considerando verídicos os contundentes discursos dos Evangelhos Essênios atribuídos a Jesus e aos anciãos essênios. Mas, enquanto o impasse dava a tônica no meio eclesiástico, algo de notável ocorria no meio científico: mais de 1.500 textos foram rastreados e encontrados no deserto da Judeia, e a seguir publicados, sendo 900 de Qumran e o restante de outras regiões, provavelmente das comunidades de Nazaré. A maior parte dos pergaminhos levou 54 anos para ser publicada, de 1947 até 2001. Esse material arqueológico foi estudado de forma científica por 60 pesquisadores da América do Norte, Europa e Israel. A edição oficial dos textos foi publicada na série Discoveries in the Judean Desert (DJD), pela editora da Universidade de Oxford. O relatório final das escavações nas ruínas de Qumran foi publicado em um volume separado, em 2004.

Considerados a maior descoberta arqueológica do século XX, os pergaminhos do Mar Morto trazem à tona detalhes da vida desse povo judaico, e não deixam dúvidas sobre sua ligação com Jesus Cristo. Dentro do tema refeição comunal, descreve-se:

A sugestão messiânica das refeições e a posição central do pão e do mosto de uva prenunciam elementos encontrados na descrição da Santa Ceia do Novo Testamento. Adicionalmente, a ordem da benção do pão primeiramente, e do mosto de uva posteriormente, como prescrito nas Regras da Comunidade dos Sectários (Gen. 14:18), é inversa à tradição judaica, mas igual às descrições de três evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) sobre a última ceia de Jesus.

A influência dos essênios parece inegável sobre o Novo Testamento, não apenas sobre João Batista ou sobre Jesus, como sobre certas comunidades da segunda geração cristã. A primeira atividade de Jesus, por exemplo, e o recrutamento dos seus primeiros discípulos situa-se na região perto de Qumran, na qual João Batista exercia seu ministério. Para a celebração das festas religiosas, Jesus e seus discípulos seguiam o calendário solar dos essênios de Qumran, o que explicaria a celebração da ceia na véspera da Páscoa. Além disso, é clara a influência exercida pela terminologia essênia tanto sobre o vocabulário usado por Jesus como sobre os escritos de João Evangelista.

Jesus realizava a maior parte das curas explicando como se alimentar devidamente: alimentação frugal e simples, com produtos crescidos na região em que morassem, específicas de cada estação do ano, como cevada, trigo (“A mais perfeita dentre todas as ervas portadoras de sementes (…) que o vosso pão de cada dia seja feito de trigo, para que o Senhor tome conta de vosso corpo”)uvas azedas diuréticas, seguidas de uvas doces que nutriam com seu néctar e uvas doces e passas para ganhar peso; figos ricos em suco e, no mês seguinte, figos secos, que seriam acompanhados de amêndoas nos meses em que as árvores não produzissem frutos. Ensinou o poder nutricional e desintoxicante das “ervas que vêm depois da chuva”. No ensinamento “O dom da vida na relva humilde” discursa, com riqueza de detalhes, sobre as propriedades da grama do trigo, hoje em voga como clorofila. Citava as velhas escrituras: ” Todas as plantas guardiãs de sementes e todas as árvores com suas frutas e sementes”.

Ensinava também, com as práticas essênias de purificação do corpo, como limpar-se do mal acumulado, sendo uma das principais técnicas a lavagem intestinal:

“Ajoelhai-vos no chão diante do anjo da água e deixai a extremidade do talo da cabaça penetrar-vos as partes traseiras, para que a água flua por todos os vossos intestinos. (…) Orai, pedindo ao Deus vivo que vos perdoe todos os pecados passados, e ao anjo da água que vos liberte o corpo de todas as impurezas e doenças”.

Como era um mestre divino, as curas resultavam da adesão incondicional – fé – de seus “pacientes”. Alguns viam em suas palavras a verdade. Verdades impregnadas de intensa voz e do olhar do mestre, que não se dirigiam à razão, mas ao puro sentimento. Os que recebiam essas verdades não mediam seu alcance, mas penetravam seu significado, bebendo-o como um licor embriagante. Seguiam então à risca suas instruções: jejuavam, batizavam-se com ar, água, luz do sol e terra, alimentavam-se de sementes, frutas e vegetais crus, deixavam bebidas alcoólicas e hábitos nocivos. Quando da volta do mestre Jesus, meses depois, ao mesmo povoado, eles se prostravam aos seus pés, livres das doenças terríveis que os aplacavam, mas Jesus levantava-os, e com olhos de intensa luz respondia: “Foi vossa fé que vos curou. A Paz seja convosco”.

Não discutirei os processos de cura realizados por Jesus pela imposição das mãos e pela simples presença, exatamente porque acredito neles e creio que necessitem de um texto inteiramente dedicado ao assunto, e de um tipo de abordagem completamente diferente.

Jesus era essênio de Nazaré, pequena comunidade auto-sustentável de famílias dos primórdios de nossa história, aos pés do Monte Carmelo. Os essênios de Nazaré tinham como identificação os cabelos compridos e a barba, e levavam a vida em família, sendo a paternidade e a maternidade consideradas uma sublime missão. Segundo Theodore Heline, os essênios viviam em plena democracia, que funcionava dentro de uma ordem hierárquica espiritual, altamente disciplinada.

Pode ter sido no mosteiro de Qumran, entre os sectários essênios, ou na comunidade dos terapeutas essênios do lago Mareotis, no Egito, que Jesus tenha vivido dos 13 aos 30 anos, longe da perseguição do rei Herodes, seguindo regras de comunidade e manuais de disciplina de extrema retidão. Os monásticos de Qumran levavam uma vida ascética, em comunhão com a Mãe Terrena e com o Pai Celestial, e designavam-se como eleitos ou filhos da luz. Filo, historiador e filósofo alexandrino, descreveu a vida cotidiana desse povo como “sagrada em si”.

Os conhecimentos profundos que adquiriam em estudos e meditação ativa faziam dos essênios sábios e professores como ninguém. Segundo Hall, “o nível intelectual da comunidade era alto. (…) Os oficiais romanos que viviam na Palestina escolhiam esses místicos (…)preferindo-os a tutores de outras seitas judaicas e mesmo aos enviados de Roma. Sob a gentil orientação desses homens divinos, suas crianças recebiam não apenas aprendizado, mas também iluminação”.

Os essênios, em geral, andavam em vestes de linho extremamente simples, tecidas em suas comunidades, brancas como as nuvens do deserto. A chegada de um grupo de essênios, fossem eles de Qumran, de Nazaré ou do distante lago Mareotis no Egito, a uma cidade palestina, causava grande alvoroço, pois todos os doentes aglomeravam-se ao redor deles, procurando cura para suas enfermidades, principalmente porque esses terapeutas dedicavam-se à cura dos mais pobres, que não podiam pagar um médico convencional.

Um terapeuta essênio não se limitava à prescrição de tratamentos, mas visitava e era capaz de arejar e higienizar a casa de um doente, cuja limpeza houvesse sido interrompida pelo processo da enfermidade. Ainda discute-se se o significado da palavra essênio poderia originar-se de asaya que quer dizer “médico”. Em Jerusalém, existe até hoje um “portal dos essênios”, acesso à cidade que aponta para a direção do deserto de onde eles vinham.

Em nosso país de 170 milhões de cristãos, e em todo o ocidente judaico-cristão, teremos excelentes resultados no quadro geral de saúde quando a verdade sobre os ensinamentos de saúde proferidos pelos essênios e por Jesus atingir a maior parte da população.