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Leite – um alimento indispensável?

Publicada em 23.03.2015

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Foto por Aml alzahrani

O leite e seus derivados durante muito tempo foram considerados alimentos indispensáveis para a saúde do homem, hoje os escândalos de adulteração colocam em cheque a afirmação do passado. Neste texto pretendemos esclarecer se realmente o leite é indispensável, quais são os alimentos fontes de cálcio e os efeitos colaterais do consumo do leite a curto e em longo prazo.

 

Leite indispensável

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) não podemos substituir o leite materno pelo leite de vaca ou pelo sucedâneo do leite materno (sucedâneo é um leite artificial utilizado para substituir o leite materno quando necessário, ele não tem a mesma composição, mas é melhor do que o leite de vaca).

Depois da retirada do leite materno, de maneira nenhuma deveria ser introduzido o consumo de leite de vaca e derivados. A Harvard School of Public Health, quebrando o lobby da indústria de alimentos, anunciou que o consumo de leite e derivados não é compatível com uma dieta saudável. As justificativas apresentadas estão relacionadas ao aumento do câncer de próstata e ovários.

 

Efeitos colaterais a curto prazo

Lembro-me quando criança minha avó indicando o leite para quem sofria de gastrite, essa informação é uma meia verdade. A gastrite geralmente está relacionada ao aumento do ácido clorídrico no estômago. No processo inicial de digestão o ácido se liga ao leite diminuindo os efeitos da acidez, mas no final da digestão estomacal o ácido volta a agredir a mucosa e ainda é produzido ácido lático, piorando os efeitos da gastrite.

A acidez gerada pelo consumo do leite favorece o refluxo. O refluxo é a volta do ácido do estômago para o esôfago, chegando a atingir a laringe a faringe causando irritação e algumas vezes os brônquios, levando a pneumonia bronco-aspirativa. A agressão gerada nestas regiões não produtoras de muco pode causar lesão, e se o caso não for tratado aumenta o risco para desenvolver câncer, principalmente de esôfago.

Depois dos quatro anos de idade a capacidade de digerir a lactose (açúcar do leite) cai sensivelmente promovendo diarreia em muitos que bebem leite, com a diarreia vem a perda de nutrientes e os microrganismos que compõem a flora intestinal se perdem. Sem a flora intestinal íntegra, a consequência é uma maior produção de gases e baixa produção da vitamina K e imunidade da criança.

Outros que consomem leite sofrem terríveis problemas de constipação intestinal e produção de gases. Uma frequência baixa de evacuação promove o aumento da absorção intestinal favorecendo o ganho de peso. A produção de toxinas no intestino é grande, estas toxinas são absorvidas para a corrente sanguínea agindo no cérebro e interferindo no humor.

A proteína do leite aumenta a produção de histamina na corrente sanguínea gerando os processos alérgicos, o sistema respiratório é o mais afetado, mas alguns manifestam alergias cutâneas (pele). O aumento da histamina esta relacionado à maior concentração de cortisol no sangue. O cortisol é o hormônio do estresse, este promove muitos efeitos colaterais no organismo.

 

 

Efeitos colaterais a longo prazo

O leite de vaca é rico em proteína devido à demanda do bezerro para promover crescimento. No Brasil o rebanho é composto basicamente por gados da raça Nelore, o bezerro desta raça nasce com 25 kg e no final do ano tem que pesar no mínimo 250 kg, um aumento de dez vezes o seu peso de nascimento. A criança nasce com 3 kg e no final de um ano deve estar pesando em torno de 10 kg, um aumento de três vezes. Este consumo de proteína elevado gera alguns problemas para o organismo.

Durante o processo de metabolização da proteína é liberado a parte ácida levando a uma redução de pH. Um meio ácido é o ambiente perfeito para desenvolvimento do câncer, o corpo na tentativa de conter está acidez usa o cálcio do leite para promover o tamponamento (manter o pH em 7,4 ), o cálcio deixa de ser utilizado para formação da massa óssea promovendo a osteoporose no futuro, essa informação já tem comprovação científica. O cálcio não pode ficar circulando na corrente sanguínea, pois ele é um dos fatores de coagulação, o que poderia formar um trombo promovendo um derrame. O cálcio é eliminado pelos rins aumentando o risco de formar cálculo renal. Quando os rins estão sobrecarregados, a via de excreção é o fígado e no futuro muitos podem sofrer com cálculo biliar. O queijo parece ser o maior promotor de cálculo biliar.

Depois de anos de consumo de laticínios e de sobrecarga nos rins e fígado, o corpo já cansado começa a depositar o cálcio nas articulações. O resultado final é a calcificação das articulações, dores e muitas vezes a deformação de dedos.

Segundo a Harvard School of Public Health, a gordura saturada que se encontra nos laticínios e os produtos químicos que são utilizados durante a produção são os grandes vilões para a formação do câncer e outros problemas de saúde como o aumento do colesterol. Além disso, mas ainda com poucos estudos, temos as intoxicações por hormônios e antibióticos presentes no leite de vaca atualmente.

 

Alimentos fontes de cálcio

O leite é rico em cálcio, porém não pode ser considerado um alimento fonte devido aos motivos explicados acima. As fontes de cálcio precisam ser ricas em magnésio. A proporção é de 2 moléculas de cálcio para 1 de magnésio para potencializar a absorção.

 

O alimento fonte não pode ser rico em proteína

Encontramos nos vegetais alimentos com estas características, são eles:

– Vegetais verdes escuros (brócolis, espinafre, couve, rúcula, mostarda, agrião, escarola, etc)

– Leite de amêndoa

– Gergelim, aqui vale algumas considerações, o preto tem dez vezes mais cálcio que o leite de vaca, o branco integral sete vezes e meia e o branco descascado quatro vezes mais

– Semente de girassol com quatro vezes mais cálcio que o leite fecha a lista dos principais substitutos

Todos os alimentos fontes de cálcio também são ricos em ferro, vale a pena investir nestas fontes.

 

Sugestão – Vamos tentar um inverno com menos leite?

Faça leite de sementes, você estará oferecendo para seu filho um alimento vivo, livre destes contaminantes e substâncias anti-nutricionais. Se quiser fazer a transição prefira leite C ou leite B, ou melhor ainda – leite orgânico da feira ecológica. Diminua os ml diários! Estes leites são mais seguros, contêm mais probióticos do próprio leite e que se mantêm íntegros no processo leve de fermentação – diferente do leite UHT, que precisa de um processo industrial mais violento já que tem um tempo de prateleira bem maior.