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A transição para a alimentação viva

Publicada em 16.07.2015

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Foto: Reprodução

Mesmo que a alimentação vigente faça mal para nós, estamos tão acostumados que nem pensamos em arriscar uma separação. Inventamos um monte de desculpas: “Demora para fazer”; “Pode dar vermes”; “Eu não sei cozinhar”. Todos aqueles que já vivem essa forma de alimentação sabem que ela é rápida de se fazer, elimina os vermes e é perfeita para “quem não sabe cozinhar”: ela é crua!

 

Para fazê-la, é preciso substituir o cozinhar por cruzinhar. Aprender a germinar. Aprender a repartir, servir, comungar o alimento com os outros e com as forças da natureza. É difícil quando se leva em conta que temos um pacto com a morte e com as doenças, com pouca expectativa de vida, com a fome e com as guerras. Um pacto selado na mais tenra infância, quando a seiva doce do seio materno é substituída por uma colher ou mamadeira com substâncias completamente estranhas à nossa natureza metabólica e enzimática. Mesmo que ocorra uma diarreia, o pediatra informa que “é normal e faz parte da adaptação”. Segue-se a devastação total das bactérias intestinais do bebê, e nós, sobreviventes, vamos caminhando por aí.

 

Como desfazer esse pacto que, afinal de contas, vem de família? É o próprio afeto de nossas mães, mantido pelos colegas de infância e adolescência, consagrado na descoberta do sexo e dos relacionamentos. As festas familiares, bolos de aniversário e de casamentos, que selam as datas mais importantes da vida, são libações de álcool, carnes, farináceos e açúcar. Nossa voz mais interna, aquela que sabe exatamente quem somos e o que queremos, vai se calando, até que nos tornamos mudos, cegos e surdos. Não percebemos mais que pegamos uma barca que vai nos levar às doenças precoces e à morte prematura. Aceitar o clique e mudar exige, a princípio, respeito conosco mesmo, com os próximos, com a família e com a comunidade. Embora existam alguns casos em que a adoção das novas práticas culinárias seja quase automática, diferentes reações podem ser identificadas:

 

 

Rejeição total após a primeira prova dos alimentos

Ocorre uma rejeição imediata do paladar e/ou da digestão dos alimentos crus, mesmo uma salada ou frutas. É normalmente subjetiva, mas pode apresentar-se na forma de diarreias de limpeza e mesmo náuseas e vômitos. É aquele tipo de pessoa que pede que se retire o pedacinho de pepino que vem no hambúrguer. Naturalmente, são os que mais necessitam de alimentação crua, mas provavelmente só irão buscá-la após a instalação de um desequilíbrio mais evidente.

 

 

Adesão superficial após período de alimentação crua

Aí já contam fatores sociais e biológicos. No primeiro caso, algumas pessoas necessitam estar com colegas de trabalho, ou parceiros afetivos que se alimentem da maneira estabelecida pelo sistema. Deixam o grupo recém-formado para encontrar-se com os grupos já solidificados pela convivência. Na segunda opção, a biológica, alguns passam a digerir mal alimentos crus, mas devem ser acompanhados para saber se a adaptação enzimática pode vir a ocorrer. Afinal, todo o nosso sistema enzimático foi travestido para a digestão dos açúcares, alimentos cozidos e ácidos. A alcalinização, que é benéfica para o organismo, pode trazer desconforto (a insuportável leveza). Mas há um ponto positivo: as pessoas que atingiram esse estágio reconhecem, e até cultuam sua dose diária de alimentos crus.

 

Adesão parcial

Com as conquistas iniciais da alimentação crua, como o emagrecimento ou rejuvenescimento, algumas pessoas se empolgam, compram livros sobre o assunto, recuperam-se de suas doenças, participam de grupos, dão testemunhos e finalmente, quando surge aquele aniversário ou dia festivo em família e deparam-se com a mesa repleta de alimentos cozidos, carnes e doces, enfiam o pé na jaca e comem de tudo. Não se deve sentir culpa ou esmorecer, mas procurar adquirir consciência. Aí é que entendemos o que diz na oração do pai-nosso: “Não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. No dia seguinte, é preparar o leite da terra bem cedo, beber um copo bem cheio, preparar a lavagem intestinal e deixar que saiam os convidados indesejáveis ou adversários que vieram com a comilança familiar.

 

Conscientização

Ocorre quando percebemos que o alimento nos conduz a uma melhor forma de viver. Fazemos o alimento para nós mesmos, e não precisamos alardear para ninguém. Aqueles que fazem parte da nossa família perceberão. Alguns deles se interessarão porque veem em você uma melhora e uma evolução. Outros buscarão “reintegrá-lo” ao padrão anterior usando até de chantagens emocionais e ameaças, como acontece entre usuários de drogas. Mas, mesmo enfrentando pressões, você já está preparando esses alimentos para você, o primeiro e maior interessado.

 

Propagação ou irradiação

É a melhor parte. Você formou um grupo, ou a maior parte de sua família adotou a culinária crua. As redes, ainda incipientes, começam a se formar e a se entrecruzar. Basta que dois estejam reunidos ao redor de uma mesa para ralar, coar e amornar para que a rede se forme e se reflita no universo. Depois serão três, dez, 20, 30 e muito mais. E quanto mais forem, melhor.

 

Convidar amigos, organizar uma copa no trabalho, mudar a cozinha de casa, festejar aniversários e casamentos com cardápios crus. Procurar ou organizar uma horta com amigos e parceiros. Formar redes no caminho do autoconhecimento e da autossustentabilidade. O mais curioso é que, mesmo nessa fase, você continua fazendo culinária crua porque é boa para você. Só que com outros ao seu redor.

 

Junto a essas gradações estão as porcentagens de alimentos crus na dieta. No primeiro grupo, os alimentos crus são da ordem de 0 a 5%. No segundo grupo, chega-se à metade das refeições. O quarto grupo avança até os 80% e, finalmente, pode se expandir a culinária viva até chegar aos 100% de alimentos crus, um ponto especial, no qual ocorrem as maiores transformações no plano físico e espiritual. É muito importante quando atingimos esse ponto, pois muito mais que praticar uma forma de culinária, teremos parceiros urbanos e rurais, poderemos difundir o estilo de vida biogênico e interferir no plano enérgico da vida na Terra.