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Grifes orgânicas e veganas adotam o minimalismo como estratégia no mundo da moda

Publicada em 15.05.2015

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Foto: freedomofanimals.com

O termo minimalismo aparece com frequência no universo estético – sobretudo na moda e design de interiores – e gera as mais distintas opiniões: há quem simplesmente adore sua natureza prática, confortável e despojada; outros, no entanto, veem o minimalismo como um sinônimo de algo vazio, frio, incolor e pouco criativo. Por alguma razão, este pequeno debate sempre atraiu a minha curiosidade e, na busca por mais informações sobre o tema, tive a felicidade de encontrar o livro The Joy of Less: A Minimalist Living Guide (algo como “A alegria do menos: Um guia de vida minimalista), da escritora e blogueira  americana Francine Jay. Nele, a autora desconstrói com maestria todos os rótulos negativos do minimalismo e nos convida a abraçá-lo como uma nova filosofia: nela, aprendemos a identificar o que é de fato importante e descartamos meticulosamente todas as superfluidades. O resultado? Uma vida com mais espaço e tranquilidade e um mundo com menos poluição e desperdício.

Mas como aplicar esse conceito a um universo como o da moda, onde a produção maciça de bens e consumo desenfreado são constantemente incentivados e glamourizados? Seria quase uma missão impossível, se não fosse por uma nova geração de designers que não apenas adotaram a estética e princípios minimalistas em suas coleções como também fazem questão de contribuir com o planeta através da proteção de animais, prática de comércio justo e uso de materiais sustentáveis com o mínimo de gasto energético e emissão de poluentes.

Um grande exemplo deste movimento é a marca neozelandesa Kowtow (kowtowclothing.com).  Fundada em 2007 pela designer  polonesa Gosia Piatek, a Kowtow utiliza somente algodão 100% orgânico em suas criações. As peças são desenvolvidas em Kolkata, Índia através de comércio justo e sustentável, o que garante a seus funcionários condições éticas de trabalho e maior segurança no plantio, colheita e manejo do algodão, já que não são utilizados nenhum tipo de pesticidas ou corantes tóxicos. O seu estilo, dominado por cores primárias e silhuetas geométricas, esbanja charme e qualidade e é perfeito para o nosso dia-a-dia tropical.

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Foto: Suéter Kowtow / Fonte: kowtowclothing.com

O mundo dos acessórios não fica atrás e nos apresenta um representante à altura: a Freedom of Animals (freedomofanimals.com). Criada há três anos em Nova York pelos designers e amigos Morgan Boggle e Scott MacDonough, a empresa tem como objetivo “o casamento entre forma, função e estilo através de peças luxuosas e acessíveis, tendo como plataforma a sustentabilidade”. Suas bolsas e acessórios são 100% veganos e compostas basicamente por algodão orgânico e materiais reciclados, como garrafas plásticas e pequenas peças de metal. Além disso, parte das vendas de seus produtos é destinada à David Sheldrick Wildlife Trust (sheldrickwildlifetrust.org), uma instituição queniana que protege animais em extinção, sobretudo filhotes de elefantes e rinocerontes cujos pais foram mortos por caçadores de marfim. A Freedom of Animals é famosa por suas cores neutras, modelos elegantes e superfuncionais, mas o que mais nos surpreende é certamente a qualidade e textura de seus materiais, simplesmente idênticas ao couro natural – e o melhor de tudo, sem um pingo de crueldade.

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Foto: Bolsa Freedom of Animals / Fonte: freedomofanimals.com

É claro que estes são apenas dois exemplos bem sucedidos  de uma corrente que, felizmente, vem atraindo cada vez mais adeptos e levando mais consumidores a refletir sobre seus hábitos e prioridades. Seja na moda ou na própria vida, o minimalismo defende  o abandono de tudo que é desnecessário para que nossa essência e bem-estar possam prevalecer, além de nos convidar a participar de práticas que, a longo prazo, contribuem para a construção de um futuro melhor para todos nós.

Obviamente, este é um longo caminho a ser percorrido, principalmente em uma sociedade onde muitos percebem o minimalismo como sinônimo de privação e creditam o sucesso de um indivíduo a suas posses e aparência. Ainda assim, minhas previsões pessoais indicam uma nova e promissora tendência onde não procuraremos ser diferentes para nos destacar: ao invés disso, nos uniremos aos demais para fazer a diferença. No final das contas, tudo indica que menos é realmente mais: mais sossego, mais praticidade, mais organização, mais conscientização, mais conforto, mais disponibilidade e, porque não dizer, mais liberdade – afinal, todos os destinos tornam-se muito mais acessíveis quando não carregamos conosco aquele imenso excesso de bagagem!

Dica: Infelizmente o livro Joy of Less: a Minimalist Living Guide de Francine Jay ainda não foi traduzido para o português, mas pode ser encontrado em livrarias especializadas e na versão e-book em sites como Amazon.com. A autora também mantém um blog chamado MissMinimalist.com onde ela dá dicas de como eliminar excessos, organizar e conservar roupas e alimentos, fazer compras inteligentes e otimizar nossos espaços e trabalhos, além de dar relatos pessoais de sua transformação rumo ao minimalismo. Vale a pena conferir!