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Conheça os principais nomes da Alimentação Viva nos EUA

Publicada em 04.08.2015

Olá pessoal,

Como vocês já devem ter percebido, uma de minhas atividades favoritas é justamente investigar diferentes percepções de moda e como elas participam e influenciam o nosso cotidiano. Confesso que nem sempre esta é uma tarefa fácil: diariamente somos bombardeados com novas tendências em roupas, acessórios, tecnologias, exercícios, dietas… enfim, uma infinidade de informações que, ao mesmo tempo que incitam nossa curiosidade, podem  deixar-nos cada vez mais confusos e com aquela incômoda sensação de que estamos fazendo tudo errado, não é mesmo?

Isso é principalmente observado quando o assunto é beleza e saúde. Provavelmente todos nós já ouvimos aquela famosa expressão “você é o que você come!” Embora esta afirmação seja rica em significado, ela peca por sua falta de orientação: afinal, o que devemos buscar em nossos alimentos para  obtermos o máximo de nutrição, saciedade e bem estar? Melhor ainda, como obter todos estes benefícios sem a necessidade de fixar-se a uma dieta rígida, restrita e que, embora prometa verdadeiros milagres, é simplesmente incompatível com nossas rotinas, necessidades e apetites?

Em busca de respostas convincentes para estas perguntas, acabei me deparando com uma nova e crescente prática em nutrição natural que, ao contrário da maioria das tendências, promete durar mais que uma única estação: a alimentação viva.

O conceito de alimentação viva (também denominada vegana crudívora ou Raw Vegan) vai muito além de uma simples dieta: é um estilo de vida onde natureza e saúde andam de mãos dadas a fim de garantir nutrição e saúde em perfeita sintonia. A alimentação viva tem como base alimentos de origem vegetal frescos (preferencialmente orgânicos e produzidos localmente), não refinados ou processados, os quais são consumidos crus ou cozidos at 43-44ºC, de modo que as inúmeras enzimas presentes nestes alimentos mantenham-se preservadas promovendo uma melhor digestão, assimilação dos nutrientes ingeridos e ate mesmo facilitando o processo natural de desintoxicação do organismo.

Alem de super saudáveis, estes produtos são fundamentais para quem busca uma dieta isenta de agrotóxicos, corantes, conservantes e açúcares artificiais, contribuindo ainda mais para a otimização de nosso metabolismo e sistema imunológico. Assim, fazem parte de uma tradicional mesa “viva” alimentos como hortaliças, legumes, frutas, algas, brotos, ervas, óleos vegetais, grãos integrais e sementes germinados, todos estes ricos em vitaminas, sais minerais, fibras, fitonutrientes e, obviamente, suas tão benéficas enzimas.

O Movimento Raw Vegan iniciou-se nos Estados Unidos em meados dos anos 90 e tem colecionado cada vez mais adeptos em todo o mundo. Embora sua popularização seja relativamente recente, a alimentação viva possui raízes muito mais remotas e geralmente vinculadas ao tratamento de doenças agudas e crônicas, principalmente quando as terapias convencionais não eram suficientes.

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Ann Wigmore / Foto: Reprodução

Uma das pioneiras em utilização e divulgação desta prática foi a lituana-americana Ann Wigmore, nutricionista, profissional de saúde holística e fundadora do Hippocrates Health Institute, em West Palm Beach, Florida (hippocratesinst.org). Criado em 1961, seu centro homenageia o pai da Medicina moderna e autor do famoso principio “deixe teu alimento ser o teu remédio, deixe o teu remédio ser o teu alimento”. Apos acompanhar e constatar a cura de pacientes com câncer – incluindo ela mesma – através da adoção de uma dieta exclusivamente vegana e crudívora, Ann dedicou-se por mais de 35 anos ao estudo destes alimentos e ao papel fundamental das enzimas e vitaminas para a manutenção e equilíbrio de nossa saúde.

Mesmo após a sua morte em 1994, seu centro segue como uma das maiores referências em terapia e nutrição holística dos EUA, recebendo centenas de pacientes anualmente que buscam não apenas aconselhamento nutricional mas também prevenção e cura de dores, alergias e outras enfermidades através dos princípios da alimentação viva.

Obviamente, o movimento Raw Vegan não parou por aí: hoje contamos com uma nova geração de profissionais de saúde, chefs e celebridades totalmente maravilhados com os benefícios da alimentação viva e dispostos e promovê-los aos quatro cantos do mundo.

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David Wolfe / Foto: Reprodução

Aqui nos Estados Unidos um de seus grandes representantes é David Wolfe ou David “Avocado” Wolfe, como ele prefere ser chamado. Considerado um dos maiores experts em nutrição  funcional integrativa, Wolfe acredita que a equação super alimentos + produção orgânica e sustentável + natureza são a chave para uma vida repleta de saúde, beleza e positivismo. Com mais de 20 anos de experiência, seu currículo é composto de mais de 2750 palestras e eventos em nutrição, participações em documentários premiados como Food Matters e Hungry for Change, publicações de diversos best-sellers, além de ser o fundador e presidente da organização The Fruit Tree Planting Foundation (www.ftpf.org), cuja missão consiste em plantar 18 bilhões de frutas, sementes e árvores medicinais em todo o planeta. Ah sim, nas horas vagas ele dedica-se à apicultura, produção de alimentos e chocolates orgânicos – aliás, ele é apaixonado pelas propriedades energéticas, antioxidantes e cosméticas do cacau e orgulha-se de ser um experiente chocolatier. 

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Matthew Kenney / Foto: Reprodução

Outra personalidade de renome no universo raw vegan é o chef e professor de culinária Matthew Kenney (matthewkenneycuisine.com). Certamente o principal nome da alta gastronomia viva americana, Kenney possui restaurantes na Flórida, Califórnia, Maine e Tailândia e sua academia culinária foi eleita pela revista Food & Wine a número um na categoria novas escolas gastronômicas dos EUA. Sua filosofia de vida e trabalho vê nos alimentos veganos, orgânicos e crus a matéria-prima de uma culinária altamente refinada, moderna e artística. Apaixonado pelas cores, sabores e versatilidade da cozinha raw vegan, Kenney garante que a alimentação viva é totalmente capaz de restaurar o equilíbrio, energia e lucidez que tanto buscamos em nossas rotinas – ainda que praticada uma única vez por semana – e prova por A + B que uma dieta baseada em plantas, grãos e sementes não deve ser sinônimo de restrição e monotonia.

Após tantos argumentos positivos e animados, por que não darmos à a alimentação viva um voto de confiança? Obviamente, não estamos sugerindo mudanças imediatas, radicais nem definitivas, ainda mais para aqueles que nunca experimentaram ou ainda vêem os termos “vegano” e “crudívoro” com um olhar um tanto desconfiado. Ainda assim, podemos sempre acrescentar em nossas dietas algumas destas pequenas preciosidades, ainda que esporadicamente. Aqui, a imaginação não tem limites: vale preparar um suco ou smoothie de seus vegetais e frutas favoritas, testar novas receitas e criar um menu todo especial com as versões aprovadas, pesquisar restaurantes com opções veganas crudívoras e iniciar uma divertida gincana em busca do prato perfeito, frequentar feiras e mercados orgânicos a fim de conhecer novos ingredientes… Ah sim, lembrem-se de que podem sempre contar com o nosso portal para maiores informações e inspirações.

Uma coisa é certa: não existem modismos ou tendências capazes de superar o valor de uma saúde impecável ou aquela sensação única e indescritível de bem-estar. E, já que tanto buscamos a beleza e a plenitude, nada mais lógico  do que começarmos nossa busca em suas fontes mais abundantes: a vida e suas mais singelas formas.