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Alimentos funcionais

Publicada em 29.04.2015

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Foto: Reprodução

“Alimentos funcionais: Desafios para o novo milênio” foi o tema do V Simpósio de Nutrição de Karlsruhe, Alemanha, que aconteceu em outubro de 2000. O encontro enfocou a relação entre três elementos-chave de nossa época: alimentos, nutrição e saúde.

Alimento funcional é qualquer alimento que tenha um impacto positivo na saúde do indivíduo e no desempenho físico e mental, adicionalmente a seu valor nutritivo intrínseco. E um alimento (e não uma cápsula, tablete ou pó) derivado de ingredientes de ocorrência natural, que pode e deve ser consumido como parte da dieta diária.

Tem uma função particular quando ingerido, podendo regular processos vitais específicos, como o aumento dos mecanismos biológicos de defesa do organismo contra influências ambientais, prevenção de doenças, influência positiva nas condições físicas e mentais, e redução do processo de envelhecimento.

Atualmente, estão disponíveis a probiótica, a pré-biótica e a simbiótica, os fitoquímicos antioxidantes, os lipídios estruturados e ácidos graxos poliinsaturados, os peptídeos bioativos, as fibras da dieta, os elementos minerais e oligoelementos, com comprovados efeitos sobre a saúde.

 

Nutracêutica

O termo nutracêutica foi cunhado em 1989 pela Fundação para Inovações em Medicina, fundação educacional estabelecida em Nova York, EUA, para o encorajamento de descobertas na Medicina. Era necessário que essa área de rápido crescimento no conhecimento médico tivesse um nome próprio.

Um nutracêutico pode ser definido como qualquer substância que possa ser considerada um alimento, ou parte de um alimento, e que promova benefícios médicos como a prevenção e o tratamento de doenças. Os nutracêuticos variam de nutrientes isolados, suplementos dietéticos e dietas, alimentos desenhados por engenharia genética, produtos herbais, e produtos processados, como cereais, sopas e bebidas. Alguns nutracêuticos:

• Fibras dietéticas

• Ácidos graxos poliinsaturados

• Proteínas, peptídeos, aminoácidos e cetoácidos

• Minerais

• Vitaminas antioxidativas

• Outros antioxidantes (glutationa, selênio, etc.)

O presente estado de conhecimento sobre a nutracêutica representa, sem dúvida, um grande desafio para nutricionistas e médicos. A autoridade médica pública já considera a prevenção e o tratamento com nutracêuticos um poderoso instrumento na manutenção da saúde e na reversão de doenças crônicas e agudas provocadas por alimentos. Os nutracêuticos são determinantes da boa saúde, da longevidade e da qualidade de vida.

 

Probiótica e pré-biótica

Em 1907, Metchnikoff publicou o artigo “The Prolongation of Life” (O prolongamento da vida), no qual estudou os efeitos de dietas dos povos caucasianos na longevidade, especificamente os kefires e iogurtes. A profundidade de seus achados levou-o a receber o Prêmio Nobel de Medicina.

Mesmo que nos primórdios da probiótica houvesse alguns desvios conceituais, já despontava o fato de que a substituição de micróbios intestinais por bactérias do iogurte tinham efeitos benéficos sobre a saúde. Em 1954, Vergio foi o primeiro a usar o termo “probiótica”. Em seu manuscrito “Antiund Probiotikd, comparou os efeitos deletérios dos antibióticos e de outras substâncias antimicrobianas sobre a população microbiana intestinal. Os fatores probióticos seriam aqueles favoráveis à microbiota intestinal. Em 1965, Lilly e Stillwell referiram-se à probiótica como “microorganismos que promovem o crescimento de outros microorganismos“.

Na atualidade, existe um consenso de que “probiótico” refere-se a uma preparação de microorganismos viáveis que promovem ou dão suporte ao balanço benéfico da população microbiana originária do trato gastrointestinal. Esses microorganismos podem não ser necessariamente habitantes constantes do trato gastrointestinal, mas apresentam efeitos expressivos na saúde dos animais e do homem.

Existe também o conceito da pré-biótica, que se sustenta no fato de que populações de bifidobactérias e lactobacilos, considerados benéficos para a saúde humana, podem ser estimulados seletivamente pela oferta de carboidratos fermentáveis e não digeríveis.

O leite cru, iogurtes e lactobacilos vivos em kefires são probióticos naturais. Foram os primeiros a ser estudados por Metchnikoff, há cem anos. Desde então, pouco se publicou na área da probiótica, fato que deve mudar bastante, pois esse novo ramo da ciência já está na ordem do dia. Por exemplo: sabe-se bem que o leite é um excelente provedor de bactérias homeostáticas do solo. Deixo aqui algumas perguntas aos leitores mais sagazes e informados:

• Como ocorre a “contaminação” seletiva do ubre das vacas por bactérias benéficas do solo?

• Por que o leite não é contaminado por bactérias causadoras de doenças, em situação normal?

• Como o leite materno humano também apresenta esse tipo de bactérias, de enorme importância para a saúde do lactente?

• Por que as bactérias do leite são também as mesmas da terra, ou, melhor dizendo, da terra fértil e nativa, sem pesticidas ou agrotóxicos?

São muitas as perguntas e, acreditem, a ciência ainda não tem respostas para elas. Encontros científicos vêm sendo realizados com o intuito de formatar protocolos de pesquisa que respondam rapidamente a essas questões. Somente agora, cem anos depois do artigo Prolongation of Life‘, é que se percebeu que as formidáveis bactérias têm muito mais importância do que se pensava. Vejamos então quais são as bactérias homeostáticas do solo. Na lista a seguir estão as principais espécies, dentre mais ou menos 400 gêneros descritos:

Lactobacillus acidophilus

Lactobacillus bulgaricus

Lactobacillus delbreukii

Lactobacillus caseii

Lactobacillus caucasicus

Lactobacillus fermenti

Lactobacillus plantarum

Lactobacillus brevis

Lactobacillus helveticus

Lactobacillus leichmannii

Lactobacillus lactis

Bacillus licheniformus

Bacillus subtilis

Bifido bacteria bifidus

Essas bactérias – existentes no leite — apresentam-se também em todas as estruturas vegetais orgânicas e nativas, da raiz ao caule e nos frutos. E não é por acaso. Muitas delas realizam funções imprescindíveis à vida das plantas. Todos conhecem as “bactérias fixadoras de nitrogênio”, que predominam nas leguminosas e são apenas exemplos disso.

Pelas características de trabalho conjunto, esses seres unicelulares adquirem características de seres pluricelulares, e, pela simbiose e sinergismo com outros bilhões de bactérias, atuam nos organismos do reino vegetal e animal como parte do funcionamento normal da vida superior! E quando ocorre a morte de plantas ou animais, são as bactérias que se encarregarão de devolver todos os tecidos decompostos ao solo. Pela instigante engenharia de vida, estarão disponíveis para o surgimento de outras plantas e de outros animais, no ciclo da energia e da matéria.

 

Benefícios da pré-biótica e da probiótica para o organismo

As bactérias que podemos abrigar em nosso tubo digestivo vivem em perfeita simbiose com o organismo humano e são capazes de “dialogar” com as células da parede intestinal e com as do sistema imunológico. Nessa estreita ligação entre grupos celulares, algumas moléculas são originadas, outras se transformam, e outras podem ser absorvidas.

Segundo o American Journal of Clinicai Nutrition (2001), essas são algumas aplicações das bactérias intestinais probióticas:

• Benefícios nutricionais

• Produção de vitaminas, disponibilidade de minerais e micronutrientes

• Produção de enzimas digestivas importantes (E-galactosidase)

• Efeitos de barreira e restauração do epitélio

• Diarréia infecciosa, diarréia associada a antibióticos, diarréia por irradiação

• Redução dos níveis de colesterol

• Estímulo do sistema imune e prevenção do câncer intestinal

• Melhora da motilidade intestinal e alívio da constipação

• Resistência à colonização bacteriana e à aderência

• Manutenção da integridade das mucosas (intestinal, respiratória, etc.)

É lamentável que ramos tão novos da ciência e com ideais tão nobres possam estar sendo utilizados visando proporcionar lucros às empresas farmacêuticas e alimentícias. Um dos principais objetivos deste trabalho é, por intermédio da prática culinária, fazer com que os valiosos alimentos funcionais cheguem à mesa dos leitores ou iniciados em práticas crudistas, na forma de alimentos, e não por cápsulas com essa bactéria ou aquele micronutriente ou fitonutriente isolados. Farfan menciona a ênfase em que a prática em alimentos funcionais deve ser patrimônio da população de todos os níveis de renda, e não de empresas do ramo alimentício, ávidas por um novo filão de lucros“.